Em 2025 o Ibovespa registrou alta expressiva de 34% e rompeu pela primeira vez a marca dos 160 mil pontos, mas isso não evitou a saída líquida de recursos dos fundos de ações. Segundo a Anbima, os resgates somaram R$ 54,4 bilhões no ano, num movimento impulsionado pela aversão ao risco diante de juros elevados no Brasil e nos EUA, incertezas fiscais, tarifaço, dólar alto e tensões geopolíticas. A revisão de carteiras globais ainda trouxe influxo estrangeiro — quase R$ 26 bilhões segundo cálculos do Itaú BBA —, mas o fluxo foi concentrado e beneficia sobretudo posições diretas em papéis específicos.
O comportamento refletiu a diferença entre investidores ocasionais, que retiraram recursos de fundos, e aqueles que negociam diretamente ações ou mantêm posições de longo prazo. Especialistas consultados afirmam que a recuperação de captações tende a ser gradual e dependerá de cortes consistentes na taxa de juros, melhora fiscal e de um fluxo estrangeiro mais estrutural. Caso essas condições se confirmem, fundos de ações podem voltar a atrair recursos ao longo de 2026, mas sem a rapidez observada em ciclos anteriores.