Fonte: Valor Econômico
O mercado brasileiro mostrou resistência às incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio: o Ibovespa renovou recordes em sequência e o real foi a moeda de maior valorização entre as 33 mais líquidas, com alta acumulada em torno de 3,3% no ano, saindo de cerca de R$ 5,48 para R$ 5,01. Em março houve entradas líquidas de recursos no país, ainda que menores do que em fevereiro, e a procura por ativos de mercados emergentes e por proteção em commodities sustentou o apetite por ações locais.
Parte expressiva do desempenho é atribuída às petroleiras, cujo ganho de valor foi determinante para o avanço do índice: sem a contribuição desse setor, o Ibovespa teria subido apenas modestamente no período. Analistas mencionam fatores como valuation atrativo, elevado carry da moeda, expectativa de cortes de juros e possivelmente mudanças na condução fiscal. O gestor de renda variável da Nero Capital ressaltou a influência da alta do petróleo sobre empresas locais; outros especialistas também alertam para riscos de segunda ordem, como efeitos sobre disponibilidade de diesel e fertilizantes, pressões inflacionárias e impactos políticos com a aproximação das eleições.