Fonte: Bloomberg Línea
Após a intervenção militar dos Estados Unidos e a captura de Nicolás Maduro, os títulos soberanos da Venezuela registraram forte valorização: os bonds com vencimento em 2027 subiram 29% no pregão de 5 de janeiro, chegando a cerca de 43 centavos de dólar. O país está em default há oito anos, com aproximadamente US$ 60 bilhões em dívida em atraso, e a recuperação dos papéis trouxe expectativas de reabertura econômica, mas também reacendeu incertezas sobre a solvência e a ordem de pagamentos aos credores.
Especialistas consultados apontam que a alta não torna a dívida venezuelana automaticamente investível, dado o longo caminho jurídico e político para uma reestruturação sustentável. Luis Ferreira, do EFG, avalia que o processo pode levar anos, enquanto Joel Utsch, da Nero Capital, afirma que o país segue fora do universo de alocação para muitos investidores. Analistas também destacam cenários opostos para a região: uma eventual retomada da produção poderia pressionar preços do petróleo e beneficiar o comércio regional, mas riscos geopolíticos podem ampliar volatilidade, com México e Colômbia apontados como mercados mais suscetíveis a reprecificações.